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Artigos científicos


17/08/2016 - Neurofeedback e emoção


Por: Julie H. Weingartner*

 

Na década de sessenta ocorreram as primeiras demonstrações de que pessoas são capazes de aprender a controlar suas próprias ondas cerebrais e estados psicológicos associados. A primeira técnica utilizada para isso foi a eletroencefalografia, ou EEG, que mede a atividade elétrica produzida pelo cérebro. Os pesquisadores tiveram a ideia de registrar os sinais da atividade elétrica do cérebro de uma pessoa e então retornar a ela essa informação. Uma maneira de retornar ao indivíduo a informação do seu próprio cérebro é na forma de um gráfico; um termômetro, por exemplo. A imagem desse termômetro pode ficar mais quente à medida em que a atividade de determinada região do cérebro do participante fica mais intensa. Os pesquisadores descobriram que as pessoas podem aprender a associar os diversos níveis de intensidade do termômetro aos diversos níveis de intensidade de sua própria atividade cerebral. O termômetro funcionaria, então, como um feedback e, ao aprender a controlar os níveis do termômetro, a pessoa controlaria a própria atividade cerebral. A esta técnica damos o nome de neurofeedback.

 

Recentemente, com o avanço da técnica de Ressonância Magnética Funcional, pesquisadores conseguiram realizar os primeiros experimentos de neurofeedback com maior resolução espacial. Nestes experimentos, as pessoas podem aprender a adquirir controle sobre regiões muito específicas do córtex cerebral e até regiões mais profundas do cérebro, as regiões subcorticais.

 

O neurofeedback por Ressonância Magnética Funcional vem sendo muito estudado pela comunidade neurocientífica mundial nos últimos anos. Diferentemente do EEG, que mede a atividade elétrica do cérebro, a Ressonância Funcional utiliza como medida da atividade cerebral o nível de oxigenação sanguínea do cérebro. Já foi demonstrado, com essa técnica,  que pessoas podem controlar aspectos como dor, processamento de linguagem, habilidades motoras e algumas emoções. O estudo do neurofeedback na modulação de emoções é um campo muito recente das Neurociências e nosso grupo é um dos pioneiros mundiais nessa área.

 

As emoções humanas são definitivamente muito complexas e estão representadas no cérebro de forma muito abrangente. Existem evidências de que determinadas regiões do cérebro exercem um papel predominante para certas emoções. A amígdala cerebral, por exemplo, é uma pequena e profunda região do cérebro, muito envolvida na produção de resposta ao medo e outras emoções negativas.

 

Na nossa linha de pesquisa, procuramos investigar o impacto do neurofeedback na modulação de emoções afiliativas, que envolvem sentimentos de ternura e afeto. Estas emoções estão associadas a redes cerebrais fronto-subcorticais e representam um importante componente para o comportamento moral e a empatia nos seres humanos.

 

É um primeiro e significativo passo para abrir portas a futuros estudos. Novas intervenções devem ser capazes de aumentar estados psicológicos saudáveis, abordando comportamentos antissociais e mal-adaptativos que, muitas vezes, são resistentes a abordagens psicológicas, farmacológicas e sociais.

 

*Estudante de Doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB). Graduada em Biofísica pela UFRJ. Integra a equipe de pesquisa em Neurociências Cognitivas do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) desde 2011. Desde então atua e colabora em linhas de pesquisa que utilizam Ressonância Magnética Funcional e envolvem neurofeedback e emoção afiliativa, neurofeedback e depressão e neurociência e música. Atualmente, no segundo ano de Doutorado, conduz sua pesquisa em neurofeedback e emoção sob orientação de Jorge Moll.